Opinião

Bolsonaro é igual a Jânio e não tem equilíbrio emocional para continuar à frente do governo

Carlos Newton

Já não restam dúvidas de que o presidente Jair Bolsonaro não tem mais condições emocionais de continuar governando o país. Mesmo os admiradores mais ardorosos do estilo bolsonariano sabem que estamos chegando a uma situação-limite, com o esgarçamento das relações institucionais.

Não é a primeira vez que isso acontece. A História contemporânea registra o caso de Jânio Quadros, um político devastado pelo alcoolismo, que governava mandando bilhetes aos ministros e tinha prioridades mais do que exóticas, digamos assim.

ESTILO BOLSONARO – Nota-se que há muitas semelhanças entre Bolsonaro e Jânio, apesar da disparidade intelectual que os separa. Ambos são líderes histriônicos, cada qual à sua maneira, mas o desequilíbrio é comum aos dois.

Nas candidaturas, prometeram varrer a corrupção e criar um novo país. Depois de eleitos, porém, encontraram outras prioridades. No caso de Jânio, preocupava-se em proibir maiô biquini, briga de galo, lança perfume e corrida de cavalo, não necessariamente nesta ordem.

O desmiolado presidente resolveu abolir o terno e gravata no serviço público e vestia-se com um slack, que parecia uma roupa de safari e lembrava também o uniforme dos revolucionários cubanos, que Jânio idolatrava.

IMITANDO FIDEL – Fez questão de visitar Fidel Castro em Havana e depois recebeu e condecorou Che Guevara em Brasília, cada um vestido à sua moda.

Sonhando em se tornar um Fidel sem luta armada, resolveu renunciar, acreditando que o povo o carregaria nas costas e o levaria de volta ao palácio, tal como acontecera com o líder cubano, mas deu tudo errado.

O presidente da Câmara, Auro Moura Andrade, aceitou a renúncia, que é ato unilateral, e mandou avisar o vice João Goulart, que estava em visita à China de Mao Tsé Tung, refazendo ligações diplomáticas e comerciais. Passada a ressaca da renúncia, Jânio ficou envergonhado saiu em viagem ao exterior, num navio cargueiro, e depois ficou quietinho no seu canto.

O MESMO SONHO – Bolsonaro é diferente de Jânio, porém partilha o mesmo sonho ditatorial. E só não ficará no poder por ser um trapalhão, que desde o início da gestão desrespeita generais e amigos, não ouve conselhos, comporta-se como um aprendiz de tiranossauro.

Como em tempos de guerra tem o cargo de comandante-em-chefe das Forças Armadas, Bolsonaro pensa (?) que pode comandá-las em aventuras golpistas, como se o torturador Brilhante Ustra fosse o padrão militar e não apenas uma abjeta exceção. Aliás, o presidente fez questão de aumentar a pensão das filhas de Ustra, como se ele tivesse sido promovido a general, post mortem.

O pior é que, no Planalto e na Esplanada, ninguém tem coragem de contestar o presidente, que vem se transformando num personagem patético e até digno de solidariedade, pois está precisando de ajuda psiquiátrica, para dizermos o mínimo.

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