Opinião

Na esperança do golpe militar, Bolsonaro está jogando fora o que resta de seu governo

Carlos Newton

Sinceramente, a decepção é tão grande que nem dá vontade de escrever nem comentar, porque se trata de uma novela repetitiva, com capítulos insuportáveis que exibem os piores sentimentos humanos, numa exploração infindável dos sete pecados capitais, que no início dos tempos eram oito, mas um deles – a Melancolia – foi abandonado, e hoje é só o que resta aos brasileiros.

FATO 1 – Temos um presidente da República emocionalmente desequilibrado, que a cada dia diz algum disparate, não respeita o decoro, não se relaciona com os demais Poderes, sequer cuida da Amazônia, é de uma inutilidade completa.

FATO 2 –  No decorrer do mandato, foram surgindo as denúncias de corrupção do presidente e de sua numerosa família, que trafegaram no enriquecimento ilícito por conta de rachadinhas e  transações imobiliárias e comerciais em espécie.

FATO 3 – O chefe do governo é de tal maneira primário, que não consegue sequer manter o apoio dos partidos do Centrão, que passaram a sugar cada vez mais recursos públicos, mesmo assim não demonstram lealdade ao presidente.

FATO 4 – Elegemos um Congresso com maioria de parlamentares envolvidos em corrupção, que então criaram leis lenientes para ajudar o Supremo e o governo a liquidarem com a Lava Jato, e assim evitar novas baixas na classe política.

FATO 5 – Temos um Supremo totalmente escalafobético, que apoiou a Lava Jato enquanto eram presos apenas petistas e membros do Centrão, mas depois mudou de lado porque começaram a ser abertos processos contra tucanos.

FATO 6 – Para evitar a prisão de mais políticos corruptos, o Supremo transformou o Brasil no único país da ONU que não prende criminosos após condenação em segunda instância, e com isso soltou o corrupto-mor Lula da Silva.

FATO 7 – No desespero com o fracasso absoluto do presidente, o Supremo inventou mais uma lei que só existe no Brasil (incompetência territorial absoluta) e conseguiu limpar a ficha de Lula, para evitar a reeleição de Bolsonaro.

FATO 8 – Nem era preciso ressuscitar Lula, porque Bolsonaro entrou em parafuso. Por isso, joga todas as fichas num golpe, a partir dos protestos contra STF e Congresso, convocados por ele próprio e pelo Gabinete do Ódio.

Como caso dos sete pecados capitais, que eram oito, o Brasil também se deparou com esse jogo dos sete erros, que também agora são oito, porque Bolsonaro está apostando seu futuro nos protestos de Brasília e São Paulo, e escolheu logo o Sete de Setembro, uma data consagrada para os brasileiros, especialmente os militares.

Cercado de generais por todos os lados, não aparece um militar de verdade que chegue diante de Bolsonaro e lhe diga para acordar, que não vai haver golpe algum e, se houver, ele será o primeiro a ser afastado do cargo.


P.S. 
– Parodiando o célebre livro de David Nasser, “Falta Alguém em Nuremberg”, hoje podemos dizer que “falta um homem no Planalto”. (C.N.)

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